quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Se as pedras tivessem alma..."

"Deitado sobre esta areia semeada de pedras roliças à beira do rio Sor que passa tranquilo, a caminho de jusante,passo eu a caminho do amanhã...A dinâmica não é diferente.Só o estado de espírito - aquela tranquilidade - esse,sim,é bem o que separa duas condições:a de rio e a de homem; já dizia Ferando Pessoa: «...se as pedras tivessem alma,eram coisas vivas,não eram pedras; e se os rios tivessem êxtases ao luar,os ris seriam homens doentes...»
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"Em dadas ocasiões a melhor consciência que se faça da vida é pesada penitência.Outras ocasiões há em que essa consciência é bem fogueira a aquecer-nos e chama a conduzir-nos com serenidade;com uma maravilhosa serenidade.E a "vida-viva",é circulo permanente,constante alteração da consciência que temos do que está dentro e fora de nós,aqui e ali, longe e perto.O resistir-lhe, com muito respeito e com lúcida noção do que somos, interioriza a razão, adequando-a à medida de nós próprios,em todas as situações: no caminhar,no ser,no construir,no amar...e no reconstruir." (1973/Circulos e Ciclos...do autor))

Desassossego

É a cidade que baila à medida das inquietações abertas e escondidas(...conscientes e inconscientes...)convivio entre o que está claro em nós(e para nós) e o que não está;convivio entre o nevoeiro e o dia limpo.Um a recolher-nos a alma,outro a dar-nos olhos...Ambos,para respirar os anseios! Interiorização versus fulgor.Como diria o poeta, mas " o melhor de tudo são as crianças" e acima delas a poesia que as integra.E que seria a vida sem a poesia? Ou sem o sentido desta?! Que seriam estes bancos, estas mesas...as "coisas" sem o outro sentido que lhes pertence...ou o "sentido" sem o outro sentido que elas têm??
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Quando tudo já nos pode parecer sem sentido,quando as coisas já nos podem parecer inertes, como se a terra nos engolisse,prematuramente nos abafasse - a morte nos vestisse -, socorre-nos a poesia das coisas,qual sopro que nos aspira a outra dimensão...
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Será bom voarmos com essa "energia"?Será!
Porque é do mirante do lado de cá que vejo a cidade...e sei que o almirante comanda a "esquadra" (dos navios) do meu desassossego...lá em baixo no largo rio qua desce à foz...sem saber se quer entrar no mar...ou "pelo rio das minhas aldeias" quedar-se...reflectindo na "gestão da polis""!